domingo, 22 de janeiro de 2017

21 de Janeiro de 1899 – O Assassinato Muito Culto e Elaborado

Pelo desenvolvimento da Indústria Nacional, pela Independência Tecnológica e pela Libertação do Brasil da condição de mero fornecedor de Matérias-Primas! - talvez tenha sido este o mais longo grito proferido antes de um assassinato político, desde o Até tu, Brutus, meu filho, que por sinal foi dito pelo assassinado.

Manoel Ferraz de Campos Salles fazendeiro de café colocou o primeiro pé no coche que o levaria ao Palácio onde assinaria [como sempre] mais alguns decretos pagando bancos no exterior. Antes que colocasse o segundo, pedaços de chumbo que voaram da boca de uma Browning semi-automática de fabricação belga lhe perfuraram em três pontos acima da cintura, levando-o mais cedo para aquele grande Cafezal no Céu, como disse [em tirada de gosto não exatamente esplêndido] o Arcebispo da Capital, nas exéquias.

O Brasil possui [segundo historiadores talvez em exagero patriotas] a honra de ter sediado o mais elaborado de todos os crimes políticos. Os assassinos de outros países berram simploriedades como Abaixo o Tirano ou Viva a Revolução! Os terminadores do então Presidente animavam-se de propósitos desenvolvimentistas, os quais a futura vítima insistia [segundo eles] em obstaculizar, em seu afã de pagar juros.

Os perpetradores nunca foram capturados. Um deles deixou mensagem arrependendo-se, não do assassinato, mas de ter usado uma arma estrangeira, prometendo que, logo que houvesse uma pistola genuinamente nacional, ele a usaria com gosto e patriotismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário