sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

17 de Fevereiro de 1847 – O dia em que Karl Marx veio à Bahia

Karl Marx [dizem] aportou na Bahia. Uma Bahia [certo] diferente – sem leseira, comidas apimentadas, com as muralhas em torno do Pelourinho a serem reforçadas e a Lagoa do Abaeté a se transformar em base naval. Passeou pelas dunas [viu as metalúrgicas] entrou nas igrejas [nas quais não acreditava] subiu ao topo do Farol [e de lá vislumbrou as chaminés que poluíam o visual lá para os lados de Cachoeira].

Não viu dançarinas [elas não existiam] nem jeito melengodengo [somente marchas militares, com um passo de ganso que lhe lembrou a Guarda Real do Reino de Hesse-Darmstadt, ou algum outro vizinho].

As pessoas lhe pareceram hostis – ao contrário dos alemães, festeiros, sorridentes mesmo na desgraça, e sempre dispostos a se deitar ao chão para fazer um tapete de honra a qualquer estrangeiro – do Brasil então nem se fala. Os brasileiros [escreveu em inevitável carta a seu amigo Federico, o Engels] são tão convictos de que dominarão o mundo como é certa a vitória da causa proletária. Noutra carta [e ele escreveu uma torrente delas - por mais que estivesse a fazer turismo, Marx era sempre Marx] ele já não estava tão convicto do Armagedon das classes, mas da Supremacia Brasileira não tinha menos que total certeza.

Quando cansou dos trópicos [o que não passa de figura de retórica, pois Marx mal percebeu que estava nos trópicos] pegou o primeiro vapor para Bremenhaven – e se maldisse por haver nascido em lugar tão atrasado.

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