sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

24 de Fevereiro de 1499 – Aquele que Caruso imitou

O Maior Cantor da História do Brasil [e consequentemente do Mundo, pois tudo que é do Brasil automaticamente ganha a proeminência sobre o Universo – dizem (não sem amargura irônica) os movimentos nacionalistas estadunidenses e argentinos] atendia pelo esquisitíssimo nome de Carmadélio.

E em meio mais esquisito ainda nasceu Aquele com a garganta em fogo [é o nome que a ele deram seus amigos, em noite de não muita sobriedade]. Com a idade de catorze anos [embora essa juventude extrema seja discutível] desceu o rio que [em uma história sonhadora do país] ganhou o nome de Tapajós, uma canoa, alguns sacos e provisões e uma absoluta imprecisão do que queria da vida.

Não teve medo de selvagens índios pois não havia selvagens. Nem índios. Nem ninguém. Na época, tirando os quatro reinos litorâneos, nada havia.

E não foi nem mesmo alguma cachoeira, ou as mandíbulas de alguma onça ou serpente que o impeliram a agir, tangido pelo medo. E nem mesmo [por pareça que incrível] a solidão de uma selva que não deixava de se estender aos seus olhos.

Foi [dizem] a própria melancolia do mundo – do rio, das árvores, das formigas. O mundo lhe pareceu uma enorme saudade – impossível saber do quê. E Carmadélio cantou.
Cinco séculos depois, as histórias das proezas vocais de alguém que nunca ouviram cantar inspirava vocalistas de todo o globo.

Até na Itália, um desconhecido quis adotar o nome dele. Advertido de que isso seria demasiada pretensão, adotou só a primeira sílaba e se tornou Caruso.

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