quarta-feira, 22 de março de 2017

20 de Março de 1952 – Os Vazios Arquivos do Medo

O Conselho dos Dezoito desaparecera. Não desaparecera – fora embora – a deixar dúvidas de quem seriam os dezoito, ou se eram mesmo dezoito os próceres do regime.

O velho governo [pelo seu fechamento e além de um Império que se estendia desde Iquique até os subúrbios orientais de Bucareste] não deixou a tradicional coorte de burocratas arrependidos e de próceres subitamente descobridores do valor da democracia. De fato não deixou nada - de repente as pessoas descobriram que não havia mais a SKQN – a onipresente polícia política. Não descobriram – convenceram-se de que não existia, embora sentissem sua presença.

Após um começo tonitruante [afinal utilizaram tanques para adentrar o Palácio e lá não pouoc encontraram] os próceres do novo regime [se é que pode utilizar esse nome para gente tão indecisa] temiam o que fazer com o poder que tinham. O povo não confiava neles e eles mesmos não confiavam em si [tantos tinham sido os golpes anteriores e que se revelaram farsas armadas pelo Conselho].

Somente hoje tiveram coragem de abrir a sede da velha SKQN. Em vez dos infinitos fichários de inimigos políticos, encontraram, sobre um armário, meia dúzia de pastas desatualizadas e uma cartela meio usada de batalha naval. Os antigos agentes [concluíram para seu próprio alívio] tinham queimado os temidos e completíssimos registros.

Ou [o que era pior] o velho regime nunca tivera esse grande controle. Usava o medo das pessoas contra elas mesmas, e elas confessavam crimes que nunca existiram.

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