sexta-feira, 31 de março de 2017

26 de Março de 1945 – Deus no boteco

Aeliano-Terêncio [desde criança] buscava. A insatisfação [inimiga de quase todos] semelhava ser sua quase amiga – uma presença nem sempre silenciosa e nem sempre sutil.

Um dia decidiu – procurava a Deus. No outro desenvolveu – procurava a Deus por que este lhe daria um sentido. E em mais dois dias arrematou – ele iria encontrar Deus cara a cara para saber o que Ele queria.

Por alguma razão mística ou casual decidiu partir do grande rio que demarcava a antiga fronteira entre o Império do Leste [ou Concertação Demagógica] e a Renovação Mandchuriana [ainda hoje ponto de peregrinação].  Mirou vagamente o Oeste e seguiu.

Perguntaria em cada aldeola se Deus ali estava. Se ficassem embasbacados, tentassem enfiá-lo em camisa-de-força ou disparassem resposta religiosa pronta, seguiria adiante. [Desnecessário dizer que problemas com psiquiatras e a polícia o atrasaram].

Não se sabe ao certo em que aldeia perguntou Deus está aqui? E a resposta veio de detrás:

- Está.

Virou-se para o homem mais comum que tinha visto – entre seus 45 e 60, impossível ser mais preciso – rugas lhe marcavam a lateral do rosto.

Em mesa de boteco frente a frente, Terêncio cuspiu as perguntas de sempre Que sou – de onde vim – para onde... E o homem disse que estava de paciência cheia de ouvir sempre a mesma lenga-lenga. Só queria [ao menos meia hora em toda a eternidade] ter uma conversa e comer umas cocadas bem doces [das quais o boteco tinha grande estoque].

Terêncio falou com Deus – e só falou futebol e praias. 

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