terça-feira, 11 de abril de 2017

31 de Março de 1687 – O Gozador profeta

Fernando Bar-Mahdi [e ninguém soube a razão deste sobrenome exotificado, mas supõe-se que fosse outra gozação] vivia em uma longínqua comunidade nas azuladas Montanhas do Além, depois dos Sete Rios da Sabedoria, pegados ao Golfo da Iluminação [embora alguns suspeitassem que esses grandiloquentes nomes nada fossem além de auréolas bem pouco realistas para a lenda].

Coerentemente com a transcendental geografia que o cercava, tinha fama de santo. Pessoas [e, segundo dizem, também anjos] peregrinavam aos borbotões à sua pequena aldeia, em busca de respostas para as suas mais angustiantes e candentes duvidas existenciais que as perseguiam e atormentavam sem dar um minuto de trégua.

Um visitante [do qual há tantas versões de nome que é melhor concluir que ninguém se deu ao trabalho de guardar seu nome correto] procurou o sábio:

- Mestre, O Que É A Felicidade?

O Mestre virou-se, lento. Esbugalhou os olhos. Gritou:

- Olhe ali atrás de você!

Quando o homem se virou o Mestre deu-lhe uma bordoada.

Foram mais que inúmeras as interpretações aventadas para tal acontecimento. Alguns falaram da inutilidade das coisas materiais. Outras, na possibilidade de civilizações extraterrestres mais avançadas que a nossa.

Outros [porém] falaram que o Mestre já estava de paciência cheia de perguntas vagas e sem sentido como essa. Não é a explicação mais popular.

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