quarta-feira, 14 de junho de 2017

24 de Abril de 1952 – A Transferência do Comitê Nobel para Caruaru

Uns dizem que foi por ideologia. Outro, que os suecos e suecas quiseram apenas um pretexto para migrar para o Brasil, então já reconhecido como o maior país entre todos. O fato é que a cerimônia começou às seis horas deste dia, em Estocolmo, ao lado do Palácio Real. [O Rei protocolarmente triste, porém (dizem) feliz de que pelo menos as despesas desse dispendioso Comitê passariam às mãos de um país mais próspero].

As lembranças de Alfred Nobel [incluindo bananinhas de dinamite de brinquedo, para lembrar o perigoso brinquedão que o fizera rico] atulharam-se na traseira do avião da Linhas Universais e Brasileiras [o bem pouco modesto nome dos transportes aéreos brasileiros].

O Prêmio Nobel se mudava para o Brasil. Os saudosistas [eles sempre existem] manifestaram-se contrários – como, como perder assim essa tradição escandinava e nacional? Afinal, era preciso defender o seu lar e a sua cultura. Outros argumentavam com o [também onipresente] realismo: forçoso era reconhecer que a Suécia estava tomada pela corrupção; e que as ruas estavam coalhadas de bandidos; e que o país nunca conseguira um desenvolvimento real, sustentado; e que as cidades nada mais eram que ninhos de engarrafamentos – sem contar com a poluição que ameaçava cada vez mais de perto.

A pujante Caruaru foi escolhida como sede do Prêmio. Pensaram [com senso renovador talvez excessivo] em mudar o nome. Alguém cogitou em “Prêmio Arapiraca”. Com esta é cidade rival de Caruaru, a ideia foi [convenientemente] esquecida.

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