terça-feira, 11 de julho de 2017

07 de Maio de 1932 – O Esperador

 Durante vinte e três milênios, onze anos e dezenove dias procurei  meu desejo – disse talvez com algum exagero João Tashkent-Oliveira, modestíssimo professor de inglês da Terceira Escola da Cidade Epsilon [um trapézio de trezentas e sessenta e dois abrigos de zinco entremeados de árvores bem ao meio do rio Paraíba do Sul].

Tashkent-Oliveira [com seu nome composto relatando remotos antepassados da Quizguízia] [e a bem da verdade] não aparentava ter vinte e três mil anos – no máximo uns dois mil, dizia um cunhado piadista.

Não ficou famoso por satisfazer seus desejos [que afinal, não dizia claramente quais eram]. Na verdade não ficou famoso por nada. Exceto [talvez] por uma transição – de homem impaciente para um primor de espera. De fato a expressão Quem espera sempre alcança é a ele atribuída. Uma lenda – pois ele detesta essa palavreado meloso – cheesy [como dizia] em um anglicismo.

Esperou, e não alcançou. Esperou fazendo algo [no caso, sendo professor de inglês] e não alcançou ainda menos. Tentou viagens à China [uma raridade, pois os brasileiros raramente saem do seu país – como (de resto)] ainda hoje.

Ao voltar encontrou sua princesa [a qual não era nenhum filhote de sapo] com a qual se casou e sumia nos fins de semana. [Na verdade era uma colega professora, a qual sempre conhecera].

E viveram felizes para sempre [embora essa parte seja considerada por demais lendária para ser verdade]. 

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