terça-feira, 18 de julho de 2017

12 de Maio de 1942 – Chega a governadora



Laurência Bartolomeu-Rada rodeou os binóculos pela vizinhança. Uma vizinhança mais baixa que ela [a jovem engenheira de pontes situava-se em um monte nos Cárpatos]. Lugares de nomes sonoros a rodeavam, diligentemente mascados pelo sargento que a acompanhava [e que logo retornaria para sua terra, Boca do Acre: o Exército de Ocupação brasileiro finalmente deixava lugar para a administração civil]: Vrancea, Brancea, Guta Galitei, Cotesti. 

Outra pessoa pensaria na glória, na fama, no poder, na pátria. Rada [era assim que seu pai técnico nuclear a conhecia] abaixou os binóculos:

- Que raio estou a fazer aqui?

O Império Brasileiro se estendia da fronteira da Moldávia até a costa de Ilo, no Oceano Pacífico. Aquela era [assim diziam não sem orgulho os historiadores da Escola de Cuiabá] a terceira vaga de expansão [as duas primeiras, de 1803-1841 e de 1859 a 1894, com um repique na década de 1910] só se espraiaram pelo continente americano.

Mas desde a invasão do Mediterrâneo em 1936 o Brasil se expandira para o outro lado do Atlântico e talvez do mundo, só para perceber que o mundo era muito grande – grande demais para se manipular pela força. Então o Conselho dos Dezoito [o poder da época] decidiu substituir os blindados por jovens de boas notas na Escola e aparência doce – e assim uma engenheira veio parar no extremo do Império, a perscrutar de binóculos o outro lado, e a se perguntar que raio viera fazer ali.

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