terça-feira, 25 de julho de 2017

16 de Maio de 1907 – O Homem do Deserto



Pensava ele que os desertos não eram nada – no máximo uma grande chapa branca de sol a doer na vista [um oceano no qual remo algum mergulha – disse o profeta], com no máximo algumas cidades costeiras com ruínas de velhos castelos à borda. Estudava em Oxford e [apesar dos chapelões quilométricos, da Marinha Imperial e da Moral vitoriana] sonhava com sua própria chapa branca ao sol. Como Gordon de Khartum, Friedrich Wassmuss e [um pouco mais tarde] Erwin Rommel, ele amava o deserto. Reuniu os schillings [que não eram muitos] e o conhecimento de línguas [que não era pouco].

Foi esse o homem que desembarcou no porto de Recife no dia de hoje – em dia exatamente como sonhava – um céu a desconhecer a existência de nuvens. Ao contrário dos heróis de Shakespeare [que ele amava antes de conhecer o Alcorão] não tomou emprestados os velozes pés de Mercúrio. Ao contrário, derramou-se por tempos nas vielas da beira da Laguna – a aperfeiçoar sua língua local e mordiscar tapiocas.

Quando finalmente ultrapassou o agreste [um par de cavalos de montaria e um conhecedor da região ao lado] descobriu [em meio aos mandacarus e algarobas] que o deserto não é chapa – trata-se antes de coleção quase infinda de surpresas, que se desenrolam ao olho e à alma, muito mais que diversas que qualquer Tea Party.

N Brasil Thomas Edward Lawrence descobriu que o deserto é paixão.

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